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Lucilia Diniz desmistifica o que significa viver bem a vida, por dentro e por fora.
A idade certa para dar o primeiro smartphone a um filho é um dos debates mais quentes entre famílias e escolas, e uma pesquisa publicada no fim de setembro na JAMA Network Open acrescenta um argumento novo. Liderado pelo pediatra Jason Nagata, da Universidade da Califórnia em São Francisco, o estudo acompanhou quase 9 mil adolescentes americanos e investigou a relação entre ter celular próprio aos 12 anos e a saúde alimentar dois anos depois.
Aos 12 anos, 70% dos participantes já tinham smartphone. Aos 14, 24% deles relatavam sintomas de transtornos alimentares, contra menos de 16% entre os que não tinham o aparelho. Os donos de celular também tinham o dobro de chance de associar o próprio valor ao peso, e 1,5 vez mais chance de tentar controlar o corpo com restrição alimentar ou excesso de exercício.
“Um smartphone pode colocar um mundo de conteúdo focado em aparência no bolso de um jovem”, explicou Nagata. Os algoritmos das redes sociais tendem a mostrar mais do que prende a atenção, e corpos idealizados, dietas milagrosas e comparações constantes chegam justamente numa fase em que a autoimagem está em formação. Vale lembrar que o estudo mostra uma associação, e não prova que o celular, sozinho, cause o problema.
As recomendações dos especialistas são práticas: adiar o primeiro smartphone quando possível, limitar quais aplicativos podem ser baixados, manter o celular fora do quarto à noite e ampliar o acesso às redes sociais aos poucos, e não de uma vez. Mais importante que qualquer regra é manter a conversa aberta: perguntar o que o filho vê, o que sente ao ver e ajudá-lo a questionar padrões irreais.
Em casa, o exemplo pesa. Fazer refeições em família sem telas, evitar comentários sobre o peso ou o corpo de qualquer pessoa e falar de comida como fonte de energia, prazer e convivência, e não como culpa, ajuda a construir uma relação saudável com a alimentação. Se notar mudanças bruscas nos hábitos alimentares ou na forma como o jovem fala do próprio corpo, procure um pediatra ou psicólogo.
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