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Lucilia Diniz desmistifica o que significa viver bem a vida, por dentro e por fora.
Comer bem, se exercitar, dormir direito e não fumar formam o quarteto clássico da vida saudável. Um grande estudo publicado em setembro na revista Nature Communications sugere que falta uma peça nessa conta: as relações humanas. Pesquisadores da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, acompanharam quase 280 mil adultos de 40 a 69 anos, todos livres de sete grandes doenças crônicas no início da pesquisa, e calcularam quantos anos de vida saudável o isolamento e a solidão podem roubar.
Os cientistas separaram dois conceitos que costumam ser confundidos. Isolamento social é objetivo: quantas pessoas você encontra, com que frequência. Solidão é subjetiva: o quanto essas relações te satisfazem. Dá para viver cercado de gente e se sentir só, e o contrário também acontece.
Os números impressionam. Aos 50 anos, mulheres que viviam ao mesmo tempo isoladas e solitárias tinham 2,4 anos a menos de vida livre de doenças físicas, e os homens, 1,7 ano. No campo da saúde mental, a perda foi ainda maior: 3,7 anos a menos livres de depressão e ansiedade para elas e 5,8 anos para eles. “O isolamento social e a solidão podem ter um impacto significativo na expectativa de vida livre de doenças, tanto físicas quanto mentais”, afirmou o autor principal, Lu Qi.
O achado mais provocador é que os hábitos saudáveis ajudaram a reduzir o impacto físico do isolamento, mas não compensaram de forma significativa os efeitos da solidão. Ou seja, não dá para “malhar” a falta de vínculos. A conexão social precisa ser tratada como um pilar próprio da saúde, ao lado da alimentação e do movimento.
Cuidar disso pode ser simples: marcar um café fixo com um amigo, entrar num grupo de caminhada, coral ou trabalho voluntário, ligar em vez de mandar mensagem. Juntar dois pilares também vale, como cozinhar para os amigos ou treinar acompanhado. E, quando a solidão vier acompanhada de tristeza persistente, buscar ajuda profissional é um gesto de cuidado, não de fraqueza.
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