Canetas mais baratas, prato em dia

Setembro de 2026 marcou uma virada no acesso às chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Desde que a patente da semaglutida, substância do Ozempic, expirou em 20 de março, a Anvisa…

Tempo de leitura: 4 min.

Setembro de 2026 marcou uma virada no acesso às chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Desde que a patente da semaglutida, substância do Ozempic, expirou em 20 de março, a Anvisa aprovou uma série de novas versões, incluindo os primeiros genéricos em agosto. No início de setembro, a Semavy chegou às farmácias por R$ 333 a caneta de 1 mg, segundo a Forbes Brasil. Para comparar, o Ozempic custa entre R$ 975 e R$ 999, e os genéricos devem ficar na faixa de R$ 293 a R$ 323.

Preço menor significa mais gente em tratamento, e isso traz uma pergunta que a ciência está começando a responder: como fica a nutrição de quem passa a comer bem menos? Um estudo do Hospital Infantil Lurie, de Chicago, publicado em 23 de setembro na revista Childhood Obesity, acompanhou 2.031 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos que usaram remédios da classe GLP-1. Quase 1 em cada 6 (16,8%) desenvolveu alguma deficiência nutricional no primeiro ano de uso, principalmente de vitamina D.

O dado mais preocupante não foi a deficiência em si, mas a falta de acompanhamento: só 5% dos pacientes receberam orientação nutricional nos primeiros 30 dias, e menos de 25% nos primeiros seis meses. “O suporte nutricional precisa ter um papel central quando o tratamento com um medicamento GLP-1 começa”, afirmou o pesquisador Justin Ryder. O alerta vale também para adultos, já que com menos apetite fica mais difícil atingir a quantidade necessária de proteínas, vitaminas e minerais.

Na prática, quem usa esses medicamentos precisa comer menos, mas melhor. Priorizar proteínas em todas as refeições ajuda a preservar a massa muscular. Frutas, verduras, legumes e grãos garantem fibras e micronutrientes, e a hidratação ajuda com efeitos colaterais comuns, como a constipação. O treino de força completa a equação, protegendo músculos e ossos durante o emagrecimento.

Os especialistas reforçam que o remédio mais barato não muda as regras: a venda exige receita retida, os efeitos colaterais existem e o uso deve ser acompanhado por médico. “Por se tratar de doença crônica, a escolha tem de pesar segurança, indicação médica” e a capacidade de manter o tratamento, lembra a endocrinologista Bruna Marinho. Automedicação e caneta compartilhada entre amigos seguem sendo práticas perigosas.

Gostou desse artigo? compartilhe
Você em primeiro lugar

Junte-se a mais de 100,000 pessoas que recebem conteúdos semanais por e-mail.

Lucilia Diniz desmistifica o que significa viver bem a vida, por dentro e por fora.

Digite um endereço de e-mail válido.
COMPARTILHE ESTE POST
Instagram
YouTube
LinkedIn
Confira também