Comer em 8 horas funciona?

O jejum intermitente segue entre as estratégias mais buscadas por quem quer emagrecer, e uma nova análise ajuda a responder qual janela de alimentação faz mais diferença. Publicada na revista…

Tempo de leitura: 4 min.

O jejum intermitente segue entre as estratégias mais buscadas por quem quer emagrecer, e uma nova análise ajuda a responder qual janela de alimentação faz mais diferença. Publicada na revista Nutrition & Diabetes e repercutida pelo Healthline no fim de setembro, a meta-análise reuniu cinco ensaios clínicos randomizados com 124 adultos com síndrome metabólica, condição que combina excesso de gordura abdominal, pressão alta e alterações na glicose e no colesterol.

No início, os participantes comiam ao longo de cerca de 15 horas por dia, do primeiro café ao último lanche. Os pesquisadores compararam janelas de 8, 10 e 12 horas. Quem concentrou as refeições em 8 horas perdeu cerca de 1,7 kg a mais do que quem comeu em 12 horas, e 2,3 kg a mais do que o grupo controle. A janela de 10 horas teve resultado parecido com a de 8 e ainda reduziu a pressão arterial sistólica em comparação com a de 12 horas.

Para a nutricionista Dalia Perelman, da Universidade Stanford, o segredo talvez não esteja no número exato. “O benefício pode não estar em todos seguirem a mesma janela de oito horas, mas em encurtar de forma significativa o período habitual de alimentação”, afirmou. Ou seja, quem hoje belisca das 7h à meia-noite já ganha ao fechar a cozinha mais cedo.

Os efeitos foram modestos e quase não apareceram na glicose e no colesterol. Por isso, a qualidade do que vai ao prato continua sendo decisiva: comer em 8 horas uma dieta cheia de ultraprocessados não traz os mesmos benefícios. A estratégia também não é indicada para gestantes, lactantes, pessoas com histórico de transtornos alimentares ou diabéticos que usam insulina.

Para quem quer testar, uma forma simples é começar pelo jantar: terminar a última refeição duas a três horas antes de dormir e evitar o lanche noturno em frente à TV. De quebra, o sono costuma agradecer. E o prazer de comer junto, com a família ou os amigos, não precisa ser sacrificado em nome do relógio.

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