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Lucilia Diniz desmistifica o que significa viver bem a vida, por dentro e por fora.
A dieta MIND, que combina o melhor da dieta mediterrânea com a DASH (criada contra a hipertensão), ganhou uma nova e importante evidência em setembro. Um estudo do Centro Médico da Universidade Rush, em Chicago, publicado em 22 de setembro na revista Alzheimer’s & Dementia, analisou 761 idosos sem demência e mostrou por que esse padrão alimentar parece proteger o cérebro: ele está associado a artérias cerebrais mais saudáveis.
Com exames de ressonância magnética e um novo marcador automático de doença dos pequenos vasos, os pesquisadores observaram que quem seguia a MIND mais de perto tinha menos endurecimento das artérias do cérebro, maior volume cerebral e menos lesões na substância branca, aquelas manchas brilhantes que aparecem nas imagens e costumam estar ligadas a problemas de circulação. A relação se manteve mesmo considerando atividade física, peso e doenças vasculares. “A dieta pode ter um papel independente no apoio à saúde do cérebro”, afirmou a pesquisadora Puja Agarwal.
O cardápio é acessível e combina bem com a mesa brasileira. Os destaques são folhas verdes-escuras, frutas vermelhas, grãos integrais, castanhas, azeite de oliva, feijão e outras leguminosas. Do outro lado, a recomendação é limitar frituras, manteiga, doces, bolos e carnes processadas. Nosso arroz com feijão, acompanhado de uma boa salada e com azeite no lugar da fritura, já está no caminho certo.
A alimentação funciona ainda melhor em conjunto. O ensaio LatAm-FINGERS, apresentado em julho na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer e publicado na The Lancet, acompanhou 1.065 idosos em risco de demência em 11 países latino-americanos, incluindo o Brasil. O programa unia exercícios (com salsa e tango), uma versão da dieta MIND adaptada a alimentos locais como abacate, quinoa e açaí, treino cognitivo, encontros em grupo e controle da pressão. Quem teve acompanhamento estruturado melhorou a cognição 55% mais do que quem recebeu apenas orientações gerais.
A mensagem das duas pesquisas é animadora: o cérebro responde ao estilo de vida, e nunca é tarde para começar. Trocar a sobremesa diária por frutas vermelhas, incluir um punhado de castanhas no lanche e uma porção de folhas no almoço são passos pequenos. Somados a movimento, sono e boa companhia, eles podem fazer uma grande diferença ao longo dos anos.
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