Ultraprocessados até nos músculos

Já se sabia que dietas ricas em ultraprocessados estão ligadas a obesidade, diabetes e doenças cardíacas. Agora, exames de imagem revelam um efeito menos visível: gordura infiltrada dentro dos músculos.…

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Já se sabia que dietas ricas em ultraprocessados estão ligadas a obesidade, diabetes e doenças cardíacas. Agora, exames de imagem revelam um efeito menos visível: gordura infiltrada dentro dos músculos. O estudo, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), foi publicado em 15 de setembro na revista Radiology e analisou ressonâncias magnéticas das coxas de 615 adultos, com idade média de 60 anos, participantes de uma grande pesquisa sobre artrose do joelho.

Em média, 41% do que esses participantes comiam eram alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, refeições prontas e refrigerantes. Quanto maior essa proporção, maior o acúmulo de gordura entre as fibras musculares da coxa, que aparecia nas imagens como estrias de degeneração no lugar de um músculo uniforme. O dado mais revelador: a associação se manteve mesmo depois de os pesquisadores considerarem o total de calorias, o nível de atividade física e outros fatores.

Isso importa porque a musculatura da coxa é uma das principais proteções do joelho. Músculos com mais gordura infiltrada tendem a ser menos eficientes, o que pode sobrecarregar a articulação e favorecer a artrose, uma das principais causas de dor e perda de mobilidade com o envelhecimento. “A qualidade da dieta merece mais atenção, e os programas de perda de peso deveriam considerar a qualidade da alimentação, e não apenas a restrição de calorias e o exercício”, escreveram os autores.

Como todo estudo observacional, este mostra uma associação, não uma relação de causa e efeito. Os participantes também já tinham risco de artrose, e a alimentação foi avaliada apenas no ano anterior. Ainda assim, o resultado se soma a uma lista crescente de evidências de que não basta olhar para a balança: duas dietas com as mesmas calorias podem ter efeitos bem diferentes no corpo.

A orientação prática conversa com o Guia Alimentar para a População Brasileira, referência mundial no tema: fazer da comida de verdade a base do prato. Arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, ovos, carnes frescas e castanhas devem ocupar o lugar dos produtos prontos. Somado ao treino de força, esse é um dos melhores investimentos para chegar à maturidade com músculos fortes e articulações protegidas.

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